Capítulo 10 - O hábito faz o monge.



Muito embora um monge possa ser reconhecido de longe em razão do hábito que usa, este, sozinho, não o torna religioso. Aliás, o traje é entregue somente depois que o noviço está preparado para professar na sua congregação religiosa.

Assim sendo, o dizer o hábito faz o monge pode significar que o frade assume de tal maneira o compromisso de honrar seus votos, seus trajes e sua congregação que, ainda que em ocasião anterior possa ter havido qualquer dúvida quanto à sua livre e deliberada vontade de tornar-se um religioso, ele, daquele momento em diante, não mais enxerga caminho de volta; deixar de pertencer poderá ser tão difícil e demorado quanto passar a fazer parte.

Quando se diz que o hábito faz o monge está se afirmando que a disposição duradoura das pessoas, adquirida pela repetição frequente dos mesmos atos, faz delas, de fato, monges. A maneira usual de ser de cada pessoa definitivamente se tornará uma característica indissociável dela; será sua marca registrada. O hábito realmente faz o monge; noutros casos, faz a pessoa. É por isso que cada ser humano deve prestar bastante atenção em seus hábitos. Cada um deve perguntar a si mesmo: que tipo de pessoa eu sou?

É claro que o decurso desde a aceitação do hábito - traje ou costume - até ao reconhecimento do monge como tal será longo. O mesmo irá acontecer com qualquer pessoa até que se lhe diga: o hábito formou o monge, ou seja, não tem mais jeito, você já é o que é. Dali em diante você será reconhecido assim.

Veja o que aconteceu com um dos apóstolos do Senhor Jesus: “Pedro estava sentado lá fora no pátio, quando uma das empregadas chegou perto dele e disse: - Você também estava com Jesus da Galiléia. Mas ele negou diante de todos, dizendo: - Eu não sei do que é que você está falando. Depois foi para a entrada do pátio. Outra empregada o viu e disse às pessoas que estavam ali: - Ele estava com Jesus de Nazaré. Pedro negou outra vez, respondendo: - Juro que não conheço esse homem! Pouco depois, os que estavam ali chegaram perto de Pedro e disseram: - O seu modo de falar mostra que, de fato, você também é um deles. Então Pedro disse: - Juro que não conheço esse homem! Que Deus me castigue se não estou dizendo a verdade! Naquele instante o galo cantou, e Pedro lembrou que Jesus lhe tinha dito: Antes que o galo cante, você dirá três vezes que não me conhece. Então Pedro saiu dali e chorou amargamente” (Mt 26.69-75).

Não raras vezes o que tem o poder de dar-nos uma identidade tem também o poder de fazer-nos cada vez mais comprometidos com ela. Assim é o amor que leva ao casamento, a fé que propicia a salvação e a vocação que faz o discípulo.

Pedro, o apóstolo, tinha uma identidade inegável. Tentou destruí-la, mas não conseguiu por várias razões, inclusive porque estava mais comprometido com ela do que imaginava. Arrependeu-se. Libertou-se da presunção de se considerar o melhor. Ao enxugar suas lágrimas tão amargas pode ver, de novo, Aquele que é o caminho. E não O abandonou mais.

E agora digamos juntos: Muito obrigado, SENHOR.

SUBSÍDIOS BÍBLICOS

1. Pelos seus frutos os conhecereis. (Mt 7.20)

2. Sou mais prudente do que os velhos, porque guardo os teus preceitos. (Sl 119.100)

3. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. (Gl 2.20)

4. E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus. (Lc 9.62)

5. E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipo, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? (Mt 16.13)

6. Porém Samuel ministrava perante o Senhor, sendo ainda mancebo, vestido com um efode de linho. E sua mãe lhe fazia uma túnica pequena, e de ano em ano a trazia, quando com seu marido subia a sacrificar o sacrifício anual. (1 Sm 2.18,19)

7. Porque esta mesma noite o anjo de Deus, de quem eu sou, e a quem sirvo, esteve comigo. (At 27.23)

8. Porque me envergonhei de pedir ao rei exército e cavaleiros para nos defenderem do inimigo no caminho, porquanto tínhamos falado ao rei, dizendo: A mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam para o bem, mas a sua força e a sua ira sobre todos os que o deixam. Nós, pois, jejuamos, e pedimos isto ao nosso Deus, e moveu-se pelas nossas orações. (Ed 8.22,23)