Capítulo 12 - Nem tudo que reluz é ouro.



A superfície polida do ouro reflete a luz incidente sobre ela e seu amarelo característico fascina os humanos produzindo neles desejos de adornos, de investimentos e de constituição de patrimônio duradouro, seguro e transportável em tempos de guerras.

Além dele, há ligas metálicas amareladas cujo luzidio as torna, neste aspecto, semelhantes ao ouro, mas sem suas características. Por esta razão, onde se faz penhor de joias elas sempre são avaliadas por peritos. Eles sabem que nem tudo o que reluz é ouro.

Esta curta frase-advertência é aplicável a distintas situações, mas seu escopo precípuo é lembrar às pessoas que a prudência é fundamental ao nosso bem-estar. Alguém disse que prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

Neste mundo de hipocrisia crescente, onde as palavras de muitas pessoas valem cada vez menos, como aluviões quaisquer bateados de modo cansativo por inexperientes garimpeiros, ainda existem, com certeza, enormes pepitas de reserva moral para a decadente humanidade. Entre elas estão pessoas probas, empreendedoras, tementes a Deus e sábias.

Quando Elias pensou ser o único incontaminado com a crescente e abominável idolatria de seu povo, o SENHOR Deus lhe disse: “Eu deixei sete mil pessoas vivas em Israel, isto é, todos aqueles que não adoraram o deus Baal e não beijaram a sua imagem” (1 Rs 19.18). Eram, portanto, sete mil e um brilhantes numa nação biblicamente míope, isto é, incapaz de ver que nem tudo que reluz é ouro; que suas adoráveis divindades não lhe ajudavam em nada, muito pelo contrário.

João, o escritor do Apocalipse bíblico, registrou um prudente aviso de Cristo aos crentes: “Aconselho que comprem de mim ouro puro para que sejam, de fato, ricos” (3.18a). A verdadeira riqueza é o ouro puro que Cristo oferece, ou seja, o amor do seu sacrifício vicário e expiatório; amor que deve ser fiel e totalmente retribuído a ele como único Senhor e Salvador.

O disfarce do camaleão sobre o tronco das árvores para não ser visto nem atacado por seus predadores e do urutau que permanece imóvel durante horas pelas mesmas razões é o que eles fazem pela preservação da vida. A prudência é a inseparável companheira dos sábios.

Tudo nessa vida deve ser bem analisado pelas pessoas, para que sejam evitados aborrecimentos e prejuízos futuros. É melhor o arrependimento porque não se fez algo do que o de tê-lo feito. Isso também é prudência.

Nesses tempos de expansão acelerada da rede mundial de computadores, de busca da inclusão digital, não se pode olvidar o conteúdo pernicioso lá presente nem deixar de denunciá-lo. Isso também é prudência.

Quando Davi, rei de Israel, prometeu não por coisa má diante dos seus olhos (Sl 101.3), mais do que externar seu firme propósito de não deixar que em sua vida entrasse qualquer tipo de mal, ele estava apontando um caminho bem diferente do que se pode ver, em nossos dias, na televisão, no carnaval e em certas paradas realizadas por aí. Isso também é prudência.

Quando aquele mesmo monarca revelou que tinham armado uma rede para seus passos e que sua alma ficara abatida (Sl 57.6), sentia-se muito pior do que os incautos internautas dos dias hodiernos que nem percebem os laços dos quais, infelizmente, já não conseguem mais escapar. Isso é imprudência.

Quando o rei Belsazar, da antiga Babilônia, atual Iraque, profanou os utensílios de ouro e de prata tirados da Casa de Deus, em Jerusalém, bebendo vinho neles com seus grandes, suas mulheres e concubinas, enquanto dava louvores aos seus deuses (Dn 5.3,4), o Deus Altíssimo tirou-lhe a vida naquela mesma noite (5.30). Ninguém duvida de tamanha imprudência.

E agora digamos juntos: Muito obrigado, SENHOR.

SUBSÍDIOS BÍBLICOS

1. Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi já representado como crucificado? Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne? (Gl 3.1-3)

2. Compra a verdade, e não a vendas; sim, a sabedoria, e a disciplina, e a prudência. (Pv 23.23)

3. E disse o Senhor a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem sincero e reto, temente a Deus, e desviando-se do mal. (Jó 1.8)

4. O temor do Senhor é o princípio da ciência; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução. (Pv 1.7)