Sermão


Domínio Próprio

“...do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação. Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas. Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus” (Tg 1.17b-20).

Se há como fazer melhor, por que não? O irar-se não é novidade para ninguém, até pelo contrário: pode ser tido como uma reação inerente ao humano, como deixa transparecer o apóstolo Paulo em Ef 4.26, onde lemos: “Quando vocês ficarem irados, não pequem (repercutindo Sl 4.4) ...”. Agora, irar-se de pronto, e sempre, é outra coisa. Inúmeras são as situações e circunstâncias em que a pessoa está exposta a um surto desse sentimento, como insulto, injúria, ofensa gratuita, provocação, desrespeito, ameaça. Os cenários mais propícios para a ocorrência desses motivos são o trânsito, as aglomerações esportivas, tanto entre os competidores como entre os torcedores, alguns locais insalubres de trabalho, o próprio lar e o mundo. Quando menos se espera, pode eclodir um ataque que poderia motivar uma reação furiosa.

O texto de Tiago apresenta inestimável lição que pode ajudar de modo decisivo, moldando o comportamento humano a uma condição de ânimos acalmados, apesar das circunstâncias. Identifica-se aqui o ensino através de uma sequência de procedimentos comportamentais preventivos extremamente interessantes: a) pronto para ouvir. Nada de respostas precipitadas ou enquanto o interlocutor ainda fala, até porque, em meio a uma acusação ou a um desabafo pode surgir um “entretanto”, um “mesmo assim” ou até a declaração de que veio para propor uma solução amigável, o que muda tudo; b) tardio para falar. Depois de ouvir tudo, deve-se tentar analisar o problema de uma perspectiva externa, como se o ouvinte não fosse o atacado, conseguindo-se, assim, uma imagem mais completa da situação e o necessário senso do equilíbrio para então falar, no comando das emoções. c) tardio para irar-se. Vamos fazer uma substituição salutar aqui? Um amigo poderia aconselhar a contagem até dez antes reagir. Mas, e quando chegar ao dez? Infalível será valorizar a presença constante de Deus (eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre) e orar com a mente uma palavra ou uma curta frase que possa significar “Senhor, vem em meu socorro”. Isso acaba sendo um autocontrole importado do céu. Melhor ainda. De uma forma tranquila, ter-se-á optado por fazer melhor.

Uma semana produtiva a todos

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